Abacate: uma alternativa para a região Oeste de Portugal?

Questionar e proagir faz parte de nós. E foi com esse objetivo que, no passado dia 27 de novembro organizámos, na Expoeste, uma palestra sobre a cultura do abacate. Trabalhamos no campo, diariamente, lado a lado com os agricultores, ouvimos as suas aspirações e preocupações e o futuro de culturas alternativas para a região Oeste, face aos crescentes desafios produtivos que a pera rocha enfrenta, tem sido um tema recorrente. Aliando isso ao facto de termos também a oportunidade de participar e organizar várias iniciativas internacionais, através dos nossos parceiros, ouvindo e conhecendo muitas realidades e especialistas, sentimos que poderíamos contribuir para uma discussão “nutritiva” sobre o tema. Nesse sentido, convidámos especialistas internacionais a partilhar a sua experiência sobre esta cultura, solicitando uma opinião crítica sobre o facto de esta puder vir a ser, ou não, uma cultura alternativa para a região oeste.

Lançámos a discussão e teve adesão. Contámos com a presença de 111 pessoas, entre produtores, técnicos agrícolas, viveiristas e cooperativas e todos quantos tivessem curiosidade sobre esta cultura, que parece “estar na moda”, na mesa dos consumidores portugueses e do mundo.

Os especialistas convidados reforçaram o potencial desta aposta. Gonçalo Vargas, da Global Humic SL, consultor especializado nesta cultura, em diversas empresas e países, destacou: “A zona oeste e norte de Lisboa tem um tremendo potencial para cultivar abacates, já que tem menos stress, tem um clima mais temperado e maior cotação de água. Embora a água subterrânea, dos poços, tenha um elevado grau de salinidade, o inverno chuvoso consegue lavar todo o sal acumulado, ano a ano, e sempre no início da produção, na primavera, a água apresenta uma baixa salinidade. A qualidade interna do abacate dessa zona está a dar que falar, os distribuidores de fruta e os comerciais que têm de transportar a fruta dentro da Europa, destacam-na pela qualidade de abacate que recebem. Considero-a melhor que a qualidade espanhola, marroquina e chilena. É fruta firme, que dura muito mais tempo no frigorífico e assim podem vendê-la com calma, distribuindo-a por diferentes centros mais distantes, como a Alemanha e a Escandinávia, sem problema de escurecimento e apodrecimento.”

José María Ginés, da Viveiros Brokaw Espanha, reforça: “Na minha opinião, a zona Oeste de Portugal reúne condições extraordinárias para o desenvolvimento sustentável do abacate: um clima temperado com baixa incidência de geadas, solos bem drenados e um acesso à água que, gerido com rigor técnico, permite implantar plantações modernas e eficientes. Já existe uma base profissional muito sólida e um grande interesse em fazer as coisas bem desde o início, incorporando fertirrigação avançada, manejo do solo e critérios de sustentabilidade. Da Brokaw, há décadas que selecionamos variedades e porta-enxertos para este tipo de condições e vemos no Oeste português um território com um enorme potencial para produzir abacate de alta qualidade, competitivo e com uma clara identidade própria. Sou francamente otimista, sobre o potencial desta cultura: a procura europeia de abacate continua a crescer e o consumidor valoriza cada vez mais a origem, a rastreabilidade e o manejo responsável do cultivo. Neste contexto, a aliança técnica entre empresas como a Nutrifield e produtores apoiados pelo conhecimento da Brokaw pode acelerar muito a curva de aprendizagem na região, reduzindo riscos e encurtando prazos até alcançar produções estáveis e rentáveis. Se se mantiver esta aposta na inovação, na formação e na planificação a longo prazo, o Oeste de Portugal consolidar-se-á em poucos anos como uma das zonas de referência para o abacate na Europa, gerando valor económico, emprego e explorações agrícolas bem geridas.”

A semente está lançada: a cultura do abacate, no Oeste, pode bem ser uma realidade. Importa continuar a trabalhar, ensaiar e partilhar informação. Acreditamos que é no networking que mora a força de soluções vencedoras, que beneficiem todos. Este será, seguramente, um tema ao qual voltaremos. Juntos discutimos a agricultura nacional. Juntos nutrimos ideias!

A direção da Nutrifield

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